Notícia Cufa 




16/10/2018 - Arte e cultura

Nota de repúdio da Direção Nacional da Central Única das Favelas (CUFA) às manifestações racistas contra as participantes do concurso de beleza Top Cufa, em Brasília

Evento ocorreu no último sábado, dia 13 de outubro, no Shopping JK

A Central Única das Favelas (CUFA) repudia veementemente os ataques racistas destinados às modelos participantes da primeira seletiva do Top CUFA-DF, no Shopping JK, em Brasília, que ocorreu no último sábado, dia 13 de outubro. A organização do evento foi informada de atos de racismo realizados em um grupo de WhatsApp com ofensas direcionadas às nossas candidatas negras.

Já encaminhamos o caso para as autoridades competentes, que esperamos que tomem as medidas necessárias. Mas queremos manifestar a nossa grande preocupação com a onda de casos parecidos com esse que vem se alastrando por todo o Brasil, e marcar a nossa posição de que, acima de qualquer coisa, não mediremos esforços para frear esta onda e combatê-la.

A CUFA busca, por meio desta iniciativa e de tantas outras, promover o empoderamento e o protagonismo do público negro e dos moradores de favelas e periferias, transformando a realidade dessas pessoas, a fim de mostrar para o Brasil e o mundo que a favela é um território de potência em diversos segmentos.

Participaram do evento, no Shopping JK, 180 garotas, de 16 a 25 anos, todas moradoras de favelas. Nos solidarizamos com as vítimas destes atos perversos, e queremos ressaltar que não permitiremos que sejam praticados sem a devida punição dos responsáveis.

É importante lembrar que racismo no Brasil é crime inafiançável, previsto na lei, com pena de até três anos. O artigo 5º da Constituição Federal, inciso 42, prevê que “a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei”. Já o Código Penal Brasileiro, em seu artigo 140, parágrafo 3, descreve que “Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência”, a pena é de reclusão de um a três anos, mais uma multa. Ressaltamos ainda que que crimes realizados em redes sociais são passíveis de identificação e punição. Estar em rede não significa estar invisível ou livre de responsabilidade.

Por fim, lamentamos o ocorrido e reafirmamos que seguimos a nossa luta de tornar o Brasil um país mais plural, diversificado, inclusivo e com menos ódio, através do trabalho que desenvolvemos em favelas e periferias de mais de 400 cidades do país e do mundo.

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