A Central Única das Favelas de São Paulo (CUFA-SP) lamenta profundamente a tragédia inimaginável na favela de Paraisópolis, Zona Sul de São Paulo, na madrugada do último domingo, dia 1º de dezembro.

Até o presente momento, temos duas versões. Uma da polícia de que estariam perseguindo um motoqueiro até o fluxo (sinônimo de baile funk, em SP). Ainda que esta versão seja a verdadeira, isso só mostra o que já sabemos: que parte dos policiais precisa olhar para esses territórios como locais onde vivem seres humanos. Pois é de conhecimento de todos que esse evento acontece aqui com regularidade. Desejamos que os fatos sejam realmente esclarecidos, para o bem, inclusive, da imagem da própria corporação.

Existe, por outro lado, a versão de parte dos moradores que dizem que os policiais simplesmente entraram para acabar com a festa por ela ser ilegal. Nesse caso, esperaram montar a estrutura do evento, esperaram lotar para agir? Não estamos aqui para fazer julgamentos, não é a nossa missão.   Queremos apenas questionar o fato dos policiais não assumirem o risco da tragédia produzida.

Seja qual for a versão a ser confirmada, o fato é que o poder público e as lideranças precisam sentar urgentemente. Não apenas de Paraisópolis, para regulamentar as ações culturais, sociais e de toda ordem, exatamente para que as festas desses locais não sejam marginalizadas, que atendam sobretudo ao interesse dos moradores, a partir de regras coletivas e ordeiras.

Desejamos força e luz na caminhada das famílias destas vítimas que partiram tão jovens. Nos solidarizamos com todos que hoje sofrem com as consequências dessa tragédia. 

Central Única das Favelas de Paraisópolis, São Paulo, SP.  02/12/2019.